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	<title>O Teatro Mágico &#187; Ecad</title>
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	<description>O site do Teatro Mágico</description>
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		<title>Entrevista com Fernando Anitelli, por Silvestre Lacerda</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 18:20:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Everton Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Saiu na mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Anitelli]]></category>
		<category><![CDATA[Ecad]]></category>
		<category><![CDATA[gravadoras]]></category>
		<category><![CDATA[jaba]]></category>
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		<category><![CDATA[ordem dos músicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ecad, ordem dos músicos, gravadoras multinacionais, jaba, Anitelli desossa o cabrito e revela os segredos do sucesso da trupe de Osasco 
por Silvestre Lacerda &#8211; http://opedubo.blogspot.com/2010/02/transcrevendo-entrevista-com-o-fernando.html
 
 
 
 &#8220;Porra! A internet é a plataforma capaz de quebrar o monópolio da comunicação&#8221;

Enfim resolvi trabalhar e transcrever a entrevista com o líder da banda Teatro Mágico, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: arial"><span style="font-size: 130%"><strong>Ecad, ordem dos músicos, gravadoras multinacionais, jaba, Anitelli desossa o cabrito e revela os segredos do sucesso da trupe de Osasco </strong></span></span></p>
<p><em>por Silvestre Lacerda &#8211; </em><a  href="http://opedubo.blogspot.com/2010/02/transcrevendo-entrevista-com-o-fernando.html" target="_blank">http://opedubo.blogspot.com/2010/02/transcrevendo-entrevista-com-o-fernando.html</a></p>
<p><em> </em><span style="font-family: arial"></p>
<p></span><a  href="http://1.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S39yza1mvrI/AAAAAAAABIE/bju9RF8Tc8w/s1600-h/DSC01537.JPG"><span style="font-family: arial"><img style="width: 300px;height: 400px" src="http://1.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S39yza1mvrI/AAAAAAAABIE/bju9RF8Tc8w/s400/DSC01537.JPG" border="0" alt="" /></span></a><span style="font-family: arial"> </span><br />
<span style="font-family: arial"><span style="font-size: 180%;color: #ff0000"><strong> </strong></span></span><br />
<em> </em><span style="font-family: arial"><span style="font-size: 180%;color: #ff0000"><strong>&#8220;Porra! A internet é a plataforma capaz de quebrar o monópolio da comunicação&#8221;</strong><br />
</span><br />
Enfim resolvi trabalhar e transcrever a entrevista com o líder da banda Teatro Mágico, Fernando barbixa Anitelli. Desde que lançou seu primeiro álbum, &#8220;Teatro Mágico- entrada para raros&#8221;, em 2006, e disponibilizou-o para download gratuito, ele vem arrebatando fãs com poesias cheias de jogos de palavras e imagens românticas, ao gosto de casais que se chamam por xuxu e benzinho, em um público composto em sua maioria por garotinhas e garotinhos universitários sensíveis aos acordes e letras do entrépido.</p>
<p>Entre os músicos independentes brasileiros talvez não exista nenhum que venha experimentando sucesso igual ao de Anitelli e sua trupe de caras pintadas, já foram mais de 150 mil cópias do primeiro cd vendidas e 40 mil do segundo, além de mais de 1 milhão de downloads gratuitos registrados no site do grupo.<br />
<span id="more-544"></span><br />
Os números impressionam uma indústria que desde a disbonibilização de músicas gratuitas para baixar na internet e a invenção do ipod amarga números cada vez menos expressivos nas vendas de cd`s. A entrevista ocorreu logo após o show realizado numa segunda-feira fria de inverno sulista, dia 21 de setembro de 2009, no auditório do Centro de Eventos da Ufsc (Universidade federal de Santa Catarina). Poucas vezes na vida falei com alguém tão gesticulante. </span><br />
<span style="font-family: arial"><br />
</span><a  href="http://3.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S392ruOrn6I/AAAAAAAABIc/VabT_-qulQQ/s1600-h/DSC01531.JPG"><span style="font-family: arial"><img style="width: 300px;height: 400px" src="http://3.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S392ruOrn6I/AAAAAAAABIc/VabT_-qulQQ/s400/DSC01531.JPG" border="0" alt="" /></span></a><span style="font-family: arial"> </span></p>
<p><strong><span style="font-family: arial">O antes</span></strong></p>
<p><span style="font-family: arial">Não há bebidas alcóolicas nos dois camarins. Há brigadeiros, pãezinhos, malas, keises, um cartaz colado a parede com a imagem do Fernando Anitelli (ou seria o personagem?), um banco. Numa mesa um sanduíche de ricota com tomate seco e alface flerta comigo. É um sandubão, desses feito com pão bisnaga. Está repartido em vários pedaços. Parece saboroso. De fato era.O Show terminou faz alguns minutos. Alguns bancos de praça e uns anteparos, destes que servem de closed para os atores se trocarem, foram posicionados entre os camarins, como que para guiar os músico. Aguardo e observo.<br />
</span><br />
<span style="font-family: arial">Duas horas e alguns minutos antes eu estava em frente a saída de emergência, na primeira fila. Foi quando vi o Emerson, o cabeça do Movimento Músico pra Baixar. Eu o havia entrevistado a tarde, lá na casa Brasil, na presidente Konder. Ele é uma espécie de assessor da trupe.</span></p>
<p><span style="font-family: arial">- Opa, Emerson. Será que posso falar com o Fernando? Será rápido.</span></p>
<p><span style="font-family: arial">- Vou falar com ele e já volto</span></p>
<p><span style="font-family: arial">O Emerson não voltou. Esperei algum tempo e decidi invadir. Ultrapassei as cortinas pretas, havia ali uma espécie de ante-sala, um pequeno hall com quase nenhuma luz. Uma escada logo a direita levava ao palco. Agora eu estava entre as coxias e não sabia para onde ir. Ali, vi fios conectados a equipamentos de som e o palco, repleto de instrumentos organizados para o início do show. Ao meu lado esquerdo uma escada íngrime conduzia a parte superior do teatro. Outra escada, mais a frente, levava ao subsolo. Foi na sorte. Optei por descer. Mas antes de tentar as duas opções anteriores cogitei a hipótese deles se encontrarem nos fundos do palco, em alguma porta secreta pintada de preto. Abri o flip do aparelho celular e com o auxílio da luz pude verificar. Nada.Desço uma fileira de degraus, depois outra e numa porta, logo a frente, lê-se algo parecido com &#8220;saída rápida&#8221;. Essas saídas são muito comuns em teatros.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: arial">Agora estou no corredor, os bancos e os anteparos brancos estão lá. Descubro depois que há outra passagem pelo lado oposto. Nenhum segurança. Ninguém para me barrar. Sigo em frente. Não percebo o primeiro camarim. Continuo. Depois de uma parede branca, ao fundo, vejo uma mesa, um sanduíche de ricota com tomate seco e alface e uma porta aberta.Não lembro muito dessa parte. Sei que vi o Emerson por ali e ele disse que eu não poderia falar naquele momento. Mas consegui esticar a cabeça e ver, em parte, o interior do camarim.Sentado no banco junto a parede, lá estava ele. Sua cabeça pendia em direção aos joelhos. Seus cabelos compridos e encaracolados escorriam em direção ao nariz. Não usava o chapéu preto que costuma adornar seu personagem. O trovador mágico com sua barbicha enorme, sapatos de palhaço de circo e uma capa vermelha parecia fazer uma prece. Não pude observá-lo por muito tempo, creio que foram apenas três segundos.</span></p>
<p><span style="font-family: arial">- Cara, ele não pode falar agora- me informou.</span></p>
<p><span style="font-family: arial">Achei por bem respeitar o pedido.</span></p>
<p><span style="font-family: arial">- Ok.Terei que esperar, penso.</span></p>
<p><span style="font-family: arial">- Já falei com ele, agora acho que não vai dar. Mas depois&#8230;</span></p>
<p><span style="font-family: arial">- Ok, depois do show então.</span></p>
<p><span style="font-family: arial">Retorno para o meu posto. Do lado esquerda a minha poltrona há o corredor e a parede. Do lado direito uma garota pinta uma lágrima abaixo do olho esquerdo da amiga.O início estava previsto para oito e meia. Já são quase nove horas e nada. Alguns balões de camisinhas são lançados e viram o centro das atenções. Vejo os irmãos Mendes, Eduardo e Filipe, do outro lado do teatro. Eles percebem a minha presença e acenam. Devolvo o gesto.Um cara ajusta a máquina de fumaça em frente ao palco. Outro afina o baixo. Vejo uma rapaz negro com um chapéu igual ao do Anitelli. Há outro rapaz que carrega o filhinho na barriga como fazem os marsupiais (cangurus, etc). Este rapaz tem os cabelos na altura do pescoço, usa uma camiseta limão com detalhes laranjas. Seu bebê está pendurado a seu corpo seguro por alças da própria roupa. Tem as pernas soltas no ar e usa uma toca azul, dessas semelhantes as confeccionadas por chilenos. O molequinho ri.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: arial">O burburinho é intenso. Grupos de colegas conversam voltados para os bancos de trás. Constato que a platéia é composta por belas garotas, dessas que usam tons claros, não possuem acnes e são fãs da Amélie Polain. Moças de gestos delicados estão por todos os lados. Lembram personagens de Jean-Pierre Jeunet. </span></p>
<p><span style="font-family: arial">Entre os rapazes há muitos barbados. Usam camisas com tons claros. Alguns trajam nariz de palhaço.Quando ouço a trilha de fundo, as máquinas enchem o palco de fumaça. Os spots de luz com gelatinas verdes, roxas, azuis e o escambal são acionados. Das coxias, envergando a mesma capa vermelha que trajava no camarim, ele surge teatral. Passos firmes, gestos ensaiados. Ostenta um microfone preto sem fio. Seus rosto está pintado com pasta d´água branca. Os lábios são contornados com batom preto. Tem uma lágrima pintada sob o olho esquerdo (na verdade ele costuma usar essa pintura mas não estou bem certo se neste dia ele tinha pintado a lágrima) e um sapato preto gigante de bico branco.É caricato, mambembe, clownesco. Suas sobrancelhas falam. Seus olhos dialogam. Sua voz ruge:</span></p>
<p><span style="font-family: arial">&#8220;A poesia prevalece!&#8221;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial">Em seguida, como de costume na abertura dos seus shows, o músico declama o poema amadurecência e emenda com a canção &#8220;abaçaiado&#8221;. O show transcorre doce feito uma torta de morango com chantilly. Muitos fãs se aglomeram em frente ao palco para fotografar e cantar junto com ele suas canções preferidas. Dois telões reproduzem as cenas que ocorrem no tablado, um deles está logo a minha frente. Ao redor, todos de pé, acompanham as encenações que ocorrem ao longo do show. Durante a canção &#8220;cidadão de papelão&#8221; enquanto a bailarina da trupe dançava no ar pendurada a um pano vermelho, outro integrante encenava gestos com uma máscara completamente branca e sem traços marcantes, um verdadeiro teatro rico em gestos e performances. Foram quase duas horas de espetáculo onde não observei desânimo por parte da platéia. Um pouco antes do término me antecipei aos músicos e ingressei na área restrita, junto aos camarins. Lá encontrei o Emerson de costas, ele estava envolto em alguma tarefa com seu notebook, algo que me pareceu de suma importância. Digo que vou esperar para falar com o músico. Ok. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial">O primeiro que eu vi entrar foi, se não me engano, o tecladista da trupe, depois outros membros que não sei distinguir os nomes começaram a aparecer pela porta de acesso a área dos camarins. De repente vejo a bailarina Gabi, sem perder tempo trato de registrar o momento. Ela deu um show a parte. Volto ao meu posto e nada do Anitelli aparecer. Já faz uns dez minutos que a apresentação terminou, subo em direção ao palco na esperança de encontrá-lo. Lá vejo que restam poucas pessoas no auditório e descubro em um canto o set list grudado no chão. Volto aos camarins. É quando percebo uma figura de costas, parece comer algo. Ele está trajado com uma camiseta. O rosto parcialmente borrado, tudo indica que havia retirado a maquiagem recentemente. O Emerson avisa que eu gostaria de trocar algumas palavras. Tudo acordado ele pede que eu aguarde ele se trocar. Neste interím, sem ligar o gravador, converso por cerca de três minutos com o cantor. Anitelli tem um tic de mover a boca para os lados episcar os olhos, me informa que cursou um ano de teatro. Estamos em frente ao sandubão de ricota com tomate seco e alface. Não tarda ele vai se trocar. Aguardo enquanto converso com algumas garotas da produção. Agora estou em frente ao camarim do artista. Vejo quando a bailarina ingressa no banheiro e, sem querer, bate a porta com toda força. Depois abre e pede desculpas com delicadeza. No camarim há muitas malas, a do Fernando é da cor vermelha. O tempo passa. Faz cerca de meia hora que aguardo. Quando finalmente ele chega, nos dirigimos para um canto da sala. Frente-a-frenta, sentados em duas cadeiras de plástico, ao lado de um carretel gigante, desses de enrolar fios de equipamentos, falamos durante 21 minutos. </span></p>
<p><span style="font-family: arial"><strong>Ô pêdubó:</strong> </span><span style="font-family: arial"><strong>O que a experiência do Teatro Mágico, representa para a indústria cultural brasileira?<br />
</strong><br />
<strong>Anitelli:</strong> Representa uma saída, representa uma oportunidade real, concreta, de você trabalhar com a música de uma outra maneira, de uma outra perspectiva, saindo um pouco daquele modelo já engessado onde você precisaria encontrar alguém dono de uma rádio com bom humor, alguém dono de uma TV pra talvez colocar você ali dentro da programação dois, três, quatro minutos e só. Então eu acredito que a experiência do teatro mágico nessa maneira de trabalhar&#8230;com esse cuidado&#8230;essa maneira diferenciada em relação a música, o comércio da música, deixar disponível os bens culturais pra todo mundo&#8230;preços acessíveis no cd, no dvd, isso é possível, isso é capaz, o Teatro Mágico é uma trupe de Osasco, se a gente consegue fazer isso como é que uma multinacional não consegue pensar dessa maneira? O que tá atrelado ao nosso trabalho é muito a maneira colaborativa de se realizar as coisas. É o público que nos divulga. É o público que escreve no nosso blog, no nosso site, é o público que tira foto e manda pra gente. Que filma. Então o que a gente aprendeu é só aquela história do sarau&#8230;de amplificar o sarau usando as ferramentas tecnológicas acessíveis hoje em dia, a própria apresentação. Mostrar que não existe o artista e o público. Não. O que existe é: gente querendo fazer arte de uma maneira honesta e em amor em relação a arte e em relação ao público. Acho que a partir daí coisas fabulosas começam a surgir. Então acho que o teatro mágico prova que se você levar isso com compromisso, saindo dos esteriótipos que as gravadoras, que este modelo de mercado já colocou, acho que é possível você ter uma sobrevida e ter uma carreira.</p>
<p></span><span style="font-family: arial"><span style="font-size: 180%;color: #ff0000"><strong>&#8220;O Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais) já multou o Teatro Mágico porque a gente já tocou nossas próprias músicas sem avisá-los&#8221;<br />
</strong></span><br />
</span><span style="font-family: arial"><strong>Ô pêdubó: Qual a tua opinião sobre o modelo de arrecadação de direitos autorais praticado hoje no Brasil?<br />
</strong><br />
<strong>Anitelli: </strong>Acho um modelo completamente ultrapassado, equivocado. Ele é feito por amostragem. Você recolhe os direitos autorais pra poder repassar pras cem músicas mais tocadas. O ISRC, que são os direitos conexos (?) é a mesma coisa. Então assim&#8230;é&#8230;mas quais são essas cem músicas mais tocadas? Nós tivemos mais de um milhão de downloads do nosso trabalho só que a gente não toca em nenhuma rádio. Então como é que é feita essa mensura&#8230;essa mensuração&#8230;essa metragem&#8230;sei lá, como é que se diz?</p>
<p><strong>Ô pêdubó:</strong> medição?</p>
<p><strong>Anitelli:</strong> Exatamente, essa medição. No rádio? Na TV? <span style="color: #000000">Mas quem tá no rádio, quem tá na TV? É quem tá pagando o jaba. É quem tá comprando esse espaço.</span> Então é uma maneira equivocada de cobrar direito autoral. Outra coisa. Eu não quero cobrar direito autoral de ninguém que venha a tocar as minhas músicas. Eu quero agradecer as pessoas que tocam minhas músicas por aí. Outro dia eu tava lá em Belém, no Fórum Social Mundial, entrei no bar e começou a tocar uma música do Teatro Mágico. Eu fui agradecer o DJ. Eu não fui lá, (faz voz de velho ranheta) &#8220;Eu vou processar vocês, vou chamar o Ecad!&#8221; isso não existe. O Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais) já multou o Teatro Mágico porque a gente já tocou nossas próprias músicas sem avisá-los. A gente tem que avisar com quinze dias a um mês de antecedência aonde a gente vai tá, tocando que música. Então se o público pede uma música que não tá no set list que é minha, se eu quero mostrar uma música nova e eu não avisei o Ecad, eu sou multado porque eu toquei o meu próprio trabalho. Quando eu fui perguntar isso pru Ecad a mulher falou , &#8220;não, mas nós estamos protegendo você&#8221;. Eu falei: &#8220;protegendo eu de quem, de mim? Protegendo meu trabalho de mim?&#8221; Então é completamente equivocado a maneira como que o Ecad trabalha. A maneira como a ordem dos músicos trabalha. <span style="color: #ff0000"><strong>Eu não conheço um músico no país que aprove a maneira que a ordem dos músicos trabalha, como eles tiram a carteirinha do músico, o que eles devolvem e repassam pra nós em termos de debate, de oficina, de mesa. Nunca vi a ordem dos músicas preparar um estúdio público. Nunca vi a ordem dos músicos ajudar o músico a construir o próprio site, o próprio blog. Nunca vi a ordem dos músicos orientar o que se trata da produção fonográfica, o que é um direito conexo, como funciona o Ecad, ninguém faz isso. Fica todo mundo sem saber do que se trata e querendo entrar numa gravadora porque a gravadora é o sapatinho de cristal, então vai fazer a gente&#8230;então esse pensamento completamente raso é que faz com que uma porção de músico fique tocando a troco de banana, tocando por um sanduíche e um suco de laranja e acha que tá tudo bem na vida, que não tem problema algum.</strong></span> Tem que dar o nome aos bois sim, tem que falar&#8230;sabe? Em instituições que não estão trabalhando corretamente. O que a gente quer fazer é não só criticar, é chamar pru debate. É colocar nosso modelo de trabalho, comparar o que tá acontecendo&#8230;sabe? Por que não? Por que isso? Vamo conversar. Já fizemos o primeiro MPB, Movimento de Música pra Baixa, lá em Brasília, lá em Porto Alegre. Eu participei do Consig em Brasília, uma conferência de software livre <em>etalnãoseioquê</em> e com o cara do Ecad lá, debatendo com ele, &#8220;Orra mas não sei o quê e papa-papa, por que que eu nunca vi um fórum do Ecad?, o Ecad chamando os músicos pra fazer um fórum, nunca vi o Ecad e a Ordem dos músicos se juntando pra orientar?&#8221; Então falta informação, falta formação. E é isso, a gente tem que trazer estas questões e aprender junto, né? O que a gente não souber tamo aí pra aprender também. </span></p>
<p><span style="font-family: arial"><span style="font-size: 180%;color: #ff0000"><strong>&#8220;Mas quem tá no rádio, quem tá na TV? É quem tá pagando o jaba. É quem tá comprando esse espaço&#8221;</strong></span></p>
<p></span><a  href="http://1.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S39yza1mvrI/AAAAAAAABIE/bju9RF8Tc8w/s1600-h/DSC01537.JPG"></a><span style="font-family: arial"><strong>Ô pêdubó: Vocês com esse sucesso todo que estão fazendo, atraindo tanto público, vocês já receberam a proposta de alguma gravadora?</p>
<p>Anitelli:</strong> <span style="color: #ff0000"><strong>Todas as multinacionais ligaram pra gente ano passado. Sony, BMG, Universal, Warner. E todas com o mesmo discurso. Queremos comprar o seu projeto e administrá-lo pelos próximos dois, três anos.</strong></span> Administrá-lo pelos próximos dois, três anos pode ser também assim, pegar o projeto hoje e botar numa gaveta fechar e: cala-se quem anda falando coisas, cala-se um modelo que tava dando certo, um modelo de relação clara e explícita com o público, de download livre, de bens culturais gratuitos, o que não quer dizer que vai inibir a venda do cd. A gente já vendeu mais de cento e cinquenta mil cópias do primeiro cd e mais de quarenta mil do segundo que faz um ano que a gente lançou. E todos eles estão disponíveis de graça e tem um preço popular. Então você consegue sim, angariar fundos pra você manter o projeto vivo e ter sobrevida. Agora, todas vem com esse discurso: comprar o projeto e administrar, quer dizer&#8230; como assim? A gravadora nada mais é que um cara que tem dinheiro e fala, &#8220;eu quero comprar você e vou botar você pra tocar naquele rodeio, naquele programa de televisão, naquele ali&#8230;&#8221; quer dizer, uma coisa completamente descompromissada com o público, aonde tá nosso púlbico a gente sabe hoje. A gente formata as apresentações mediante isso. A gente vai na comunidade lá, &#8220;tem algum lugar pra tocar? Não tem? Pode ajudar a gente na divulgação? Na lojinha? Blablabla&#8230;&#8221;então fazer as coisas de uma maneira colaborativa é muito melhor, as coisas que surgem são fabulosas assim. Então foi esse o convite que nos fizeram mas a gente falou ó, &#8220;Pode ter música livre na internet? Não. Pode custar um cd cinco reais na mão do público? Não. Então brigado, a gente negou tudo, né. Foi assim que aconteceu os convites. </span></p>
<p><span style="font-family: arial"><span style="font-size: 180%"><span style="color: #ff0000"><strong>A gravadora nada mais é que um cara que tem dinheiro e fala, &#8220;eu quero comprar você e vou botar você pra tocar naquele rodeio, naquele programa de televisão, naquele ali&#8230;&#8221;</strong></span><br />
</span><br />
<strong>Trecho da canção Realejo durante apresentação no auditório da USFC</strong></p>
<p></span></p>
<p><span style="font-family: arial"><span style="font-size: 180%;color: #ff0000"><strong>&#8220;A gente sempre fez um trabalho de formiguinha, de buscar escolas, centros culturais, prefeituras, faculdades, são esses espaços que dão oportunidade prus projetos de música autoral&#8221;</strong></span></p>
<p><strong>Ô pêdubó: Quanto ofereceram ao grupo?</strong></p>
<p><strong>Anitelli:</strong> Não chegaram a falar em número, mas falavam (engole saliva), o suficiente pra gente ficar dois, três anos sem pensar em grana. O suficiente pra gente não precisar passar por apuros agora. Eles vem com grana. Quanto eles oferecem? Uns falavam&#8230;é&#8230;não chegavam a falar o número mas falavam, já teve grupo que por 700 mil, teve grupo que por 500 mil, citavam assim coisas. Ninguém chegou a oferecer um número X. Eles conversam, &#8220;e aí, tudo bem? Como é que é o projeto, do que se trata? Nós gostaríamos de fazer uma coisa em uníssono com vocês. Mas pode isso? Não. Mas pode aquilo? Não. Ah mas a gente tem uma verba que a gente pode dar agora de advance, eles chama isso de advance, e a gente vai administrando o projeto de vocês&#8221;. O que é esse administrar? Ninguém sabe&#8230;quando o Zeca Baleiro foi gravar a música Xannel nº 5 com a gente no cd ele falou assim, &#8220;Fernando, vocês tão fazendo a coisa mais coerente possível. Eu to a 10 anos numa gravadora que pega 50% de tudo o que eu fiz até hoje. Eles tiveram uma semana de dor de cabeça, pra ter até hoje metade de toda a minha obra&#8221;. Então realmente é necessário repensar as relações comerciais que são feitas em relação a música, em relação as parcerias, a divulgação dessa música, é dentro desse espírito que a gente caminha.</p>
<p></span><span style="font-family: arial"><span style="font-size: 180%;color: #ff0000"><strong>&#8220;Tocamos em quadra de igreja, em praça pública&#8221;<br />
</strong></span><br />
<strong>Ô pêdubó:</strong> </span><span style="font-family: arial"><strong>Suas letras são sempre muito criativas e críticas. Quais são seus músicos e autores e poetas e escritores que o inspiram?<br />
</strong><br />
<strong>Anitelli: </strong>Zeca Baleiro, Tom Zé, Chico César. Lá atrás um pouco Mutantes, Seco e Molhados, Antônio Nó brega, Cordel, Raul Seixas pra caramba, Dave Matheus Band, Simom e Garfunkel, é&#8230;eu gosto de uma porção de coisa&#8230;Radiohead, Smiths, The Cure. Eu fico ouvindo e o que me afeta sensívelmente num arranjo, numa letra, alguma coisa eu acabo incorporando aquilo pra depois vomitar no próprio trabalho. Então é isso aí tudo é&#8230;fora os grandes nomes clássicos da música brasileira é&#8230;Chico, Caetano, Gil, isso aí tudo já é&#8230;agora tem os novos&#8230;Silvério Pessoa, Lula Queroga, Cabruêra. São pessoas com uma criatividade fantástica, fabulosa que não estão nessas mídias massificadas aí mas tem um trabalho muito legal. Então é nesses autores que se relacionam em verdade com a própria obra que a gente acaba se inspirando também. Nessa galera aê. Hermeto Pascal também, que recentemente liberou todas as músicas da obra dele para que fossem regravadas e gravadas. É um velhinho que tem a cabeça lá na frente, anos luz, tem muito a ver com a maneira que a gente tem de se relacionar com a música, de conceber a música.</p>
<p></span><a href="http://3.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S39z85p-5JI/AAAAAAAABIM/IcWlpdUzrAs/s1600-h/DSC01540.JPG"><span style="font-family: arial"><img style="width: 300px;height: 400px" src="http://3.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S39z85p-5JI/AAAAAAAABIM/IcWlpdUzrAs/s400/DSC01540.JPG" border="0" alt="" /></span></a><span style="font-family: arial"></p>
<p></span><span style="font-family: arial"><span style="color: #ff0000"><strong><span style="font-size: 180%">&#8220;O cara que inventou o youtube acabou com a programação da MTV&#8221;</span><br />
</strong></span><br />
<strong>Ô pêdubó: Vocês hoje conseguem desenvolver um trabalho reconhecido e independente. Não tem o apoio de grandes gravadoras, de redes de tv e rádio. Como é que tu explica isso? Shows sempre lotados&#8230;</strong></p>
<p><strong>Anitelli: </strong>A gente sempre fez um trabalho de formiguinha, de buscar escolas, centros culturais, prefeituras, faculdades, são esses espaços que dão oportunidade prus projetos de música autoral. Normalmente as casas de show que é pra onde os músico correm não tão nem aí com a cultura, eles querem saber se o seu público bébi e se você vai tocar a música pop do Jota Quest e aquela lá do Skank que eu adoro. É isso que eles querem saber. Então você fica num mato sem cachorro, &#8220;ih meu, como é que eu vou divulgar meu som agora se a casa de show quer que eu lote? E não sei o quê e bábábá&#8221;. Então você é obrigado a correr para outras possibilidades de execução do show. Você tem que descobrir como produzir isso. E foi o que a gente fez, desde 2003 quando a gente lançou o projeto. Quando não dava pra ir todo mundo vai eu voz e violão pintado de palhaço, ficava lá no pátio da faculdade tocando. Alugava um teatrinho, a iluminação. <span style="color: #000000">Tocamos em quadra de igreja, em praça pública.</span> Teatros menores, teatros maiores, pegamos um Sesc, aí a coisa foi. E desde sempre se articulando com outros grupos que faziam uma música relativamente parecida com a nossa, ou não, mas a maneira de levar o projeto de maneira independente mandando e-mails, site, disponibilizando todas as músicas pra baixar. Então é, hum&#8230;foi assim que a gente foi divulgando tudo. E copiem o cd, podem copiar. Essa pirataria saudável, que eu acredito que fã não é pirata. Pirata é o cara que meu, que qué te fudê, que qué pegar teu material, copiar, vender um pouco mais barato. Não, não é isso. Essa pirataria que a gente fala, faz a cópia e dá de graça, isso não é pirataria, isso é ajudar. O que era aquela fita cassete escrito lentas? Todo mundo repassava um pru outro. Escrito Raul Seixa, &#8220;ouve aí porra!&#8221; sempre teve! Pra que que se vende mídia virgem? Pra que que se vende gravador de cd? Isso agora, uma prática tão habitual nossa, tá sendo taxada como crime. Querem falar que é crime você copiar um filme pra assistir em casa. Como assim? A gente sempre fez isso no video-cassete, no VHS. É crime hoje no Brasil você pegar um cd e passar pru seu i-pod. Você está transferindo, copiando um arquivo para uma outra&#8230;ma lei isso é um ilícito legal, então assim&#8230;péra aí? Qerem dizer que agora a minha vida inteira eu fui um criminoso e não sabia? A gente trabalhava com colagem quando a gente era criança. Hoje em dia as crianças trabalham com colagens digitais. Pega um videozinho e mistura com outro e não sei o quê. Isso é crime. Uma criança de sete anos pegou os fantochezinhos e brincou com a música &#8220;é pau, é pedra, é o fim do caminho&#8221; jogou no youtube, foi tirado do youtube e dito que ela era uma criminosa que estava ferindo os direitor autorais, porra! como assim? Então a gente sempre foi criminoso? A gente recortava revista e colava&#8230;hoje a tecnologia é outra. Você faz isso digitalmente. Você copiava a fita, hoje você transfere o arquivo pru teu amigo. Então o que tá mudando a gente tem que acompanhar essa transição. Tinha uma época que tinha um cara que acendia a vela em cada esquina de rua, a eletricidade chegou e esse cara perdeu o emprego. Isso é natural. <span style="color: #ff0000"><strong>Não quer dizer que os músicos estão perdendo, acho que muito pelo contrário. &#8220;Ah! Tá caindo! A indústria fonográfica está perdendo com a pirataria. Não! Não é que tá perdendo, é que com a internet e a democracia na comunicação vão surgindo outros vários grupos interessantes e aqueles mesmos começam a cair. Porque você vai começar a consumir outra coisa. Você não vai consumir só aquilo que a TV mostra, só o que o rádio mostra mas aquilo que você procura na internet.</strong></span> Então é essencial que todos tenham acesso a banda larga, a essa biblioteca digital e gigante que é a internet.</p>
<p></span><a  href="http://2.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S393vdnHCFI/AAAAAAAABIk/wDNDoMbLd3o/s1600-h/DSC01529.JPG"><span style="font-family: arial"><img style="width: 300px;height: 400px" src="http://2.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S393vdnHCFI/AAAAAAAABIk/wDNDoMbLd3o/s400/DSC01529.JPG" border="0" alt="" /></span></a><span style="font-family: arial"> </span></p>
<p><span style="font-family: arial"><span style="font-size: 180%;color: #ff0000"><strong>&#8220;A gente já tocou esse ano por 1200 cruzeiros em Tocantins e ao mesmo tempo em São Paulo por menos de 40 mil a gente não faz&#8221;</strong></span></span></p>
<p><strong>Ô pêdubó: Qual a importância da internet para o trabalho de vocês? </strong><br />
<span style="font-family: arial"><strong></strong></span><br />
<em></em><span style="font-family: arial"><strong>Anitelli:</strong> Porra! A internet é a plataforma capaz de quebrar o monópolio da comunicação. Ela&#8230;se você tem um rádio no seu carro hoje que você liga e ele pega a internet você consegue acabar com as rádios! <span style="color: #ff0000"><strong>O cara que inventou o youtube acabou com a programação da MTV. A MTV teve que começar a fazer programa de auditório com a Cicarelli pondo mulheRRRR pá beijar mulheRRR porque ninguém queria mais saber de assistir um babaca, semi rebolando, falar que o seu clipe ou o outro não vai aparecer, quem vai aparecer é o clipe campeão do Skank, da Iii&#8230;da Banda Eva! Cabô!</strong></span> Sê vai no youtube digita o nome que sê qué, se vê preto e branco, colorido, ao vivo, backstage, aca-bô. Então a internet é uma biblioteca fundamental pra todo mundo, pra quem trabalha com arte e busca justamente essa relação com o público muito mais próxima a internet é a plataforma necessária, básica pra isso. Você hoje tem que ter um Myspace&#8230;na verdade myspace, youtube, orkut, são ferramentas que também são privadas, a gente tem que ter tudo isso aí público. Tem que ter o youtube público, o myspace público, o orkut público pra que as pessoas pessam se articular e realmente conversar. O que acontece hoje uma coisa que nunca aconteceu na história da humanidade. Com um clique você&#8230;a gente convesando aqui com um celular de cento e cinquenta cruzeiro na mão cê fala,&#8221; como é que é aquela música mesmo?&#8221; Cê digita uma frase, a música vem aqui, cê ouve na hora. Aca-bô! Isso não existia. Cê digita aqui a imagem vem na hora. Isso nunca existiu na vida. Então assim, com essa possibilidade o que vai começar a acontecer agora é o que o senador Eduardo Azeredo tentou fazer, &#8220;vamos censurar a internet&#8221;. Na França quem baixa música eles querem tirar, banir da rede. Porra! Isso é um direito do cidadão. Então assim, não faz sentido a gente querer nadar contra, &#8220;Não! Porque os direitos autorais&#8230;&#8221; não, não. A coisa é livre, não tem como parar mais. Uma vez no celular gravado, jogou na rede, tá pra todo mundo! Então a gente tem que saber se relacionar com esse momento novo das tecnologias, tem que saber se interar sobre tudo isso e se relacionar. Não tem como. Não tem como fugir. A partir de agora é isso e a internet é fundamental pra todo mundo que tá começando. Quem tava nas gravadoras já está saindo e montando sua própria editora, cuidando dos seus próprios&#8230;hoje o artista tem que saber&#8230;eu até falo que não sou artista, eu sou um militante da música. Eu acho que a gente tem que saber ser o gestor do nosso próprio material. Compor a música, saber levá-la até o público. Disponibilizá-la. Vender o material relativo ao seu trabalho, e aí você vai fazendo a sua carreira. <span style="color: #ff0000"><strong>O que não pode é viver embaixo desse modelo já ultrapassado e que só quer censurar, só quer comprar, só quer botar o dinheiro no meio quando a gente tá aqui pra não falar de conchavos e máfias, a gente quer fazer música, a gente quer levar isso pru mundo todo. Então </strong><strong>a internet é, como ela alcança o mundo inteiro, é o canal de televisão que faltava</strong><strong>.</strong></span><span style="color: #000000"><span style="color: #ff0000"> </span></span><span style="color: #000000">A gente no Teatro Mágico, no nosso site a gente criou a TMTV, é nossa própria televisão. Então lá tem eu contando as histórias da música, o público que filma a gente joga as imagens lá. O público tira foto a gente põe a fotografia lá. É isso. Quando o público se sente parte disso o projeto se torna muito maior. O Teatro Mágico não é só o palco, o público é uma extensão da trupe. Então a gente fica gigante! E é pensando assim que a gente caminha.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Arial"><strong>Trecho da canção Realejo</strong></span><br />
<span style="font-family: arial"><span style="color: #000000"><br />
</span></span></p>
<p><strong></strong><br />
<strong><span style="font-family: arial">Ô pêdubó: Se nós, do Ô pêdubó!, fossemos contratar o show da trupe, sai por quanto?</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Arial"><strong>Anitelli:</strong> Depende. A gente vai fazer um show numa faculdade&#8230;é muito relativo. A gente vem aqui, é uma faculdade que tá juntando material pra um hospital, ah, beleza, então agente projeta a coisa junto. Ah, vamo tocar agora numa festa de formatura de fim de ano, é outra coisa. Ah, uma empresa privada quer uma festa fechada, é outra coisa. Orra, aquele&#8230;na USP vai ter <em>nãoseioquê</em>, vamo lá, é outro preço. Então é muito relativo. A gente sempre fala assim, &#8220;a gente não tem um preço&#8221;. A gente precisa projetar as coisas juntos. Fazer as coisas de maneira comum. Então a gente vê o que que precisa. Da pra ir eu e mais quatro?, eu e mais cinco?, eu e mais quinze? Dá pra ir só eu? No Fórum Social foi só eu, voz e violão. Tocando lá pra 1200 pessoas. Foi muito bacana. Fizemos sarau, tocamu. Depois eu invadi o show de outra banda, foi muito bacana. Então é muito relativo, depende. <span style="color: #000000">A gente já tocou esse ano por 1200 cruzeiros em Tocantins e ao mesmo tempo em São Paulo por menos de 40 mil a gente não faz, porque em São Paulo a gente leva um público de mais de 7 mil pessoas.</span> Então é muito relativo. Tem lugar que a gente vai que vai 300 pessoas ver a gente. Então a gente projeta as coisas de maneira comum com quem tá precisando. </span></p>
<p><strong><span style="font-family: arial">Ô pêdubó: Agora, quando tu for ligar o teu i-pod, que música tu vai escutar?</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Arial"><strong>Anitelli:</strong> Vou escutar Richard Bona, que é um cara Africano, é muito bom. Vou escutar Radiohead, vou escutar Dave Matheus, vou escutar Vado que é um cara lá de Aracaju, vou escutar umas coisas antigonas, Led Zeppelin que eu gosto muito, Supertramp&#8230;&#8221;tree man tãnãnãnãnã&#8221; éééé&#8230;e que mais?, que mais?, éééé&#8230;acho que é por aí, eu tenho escutado muito isso ultimamente, tô meio que nessa onda. </span></p>
<p><strong><span style="font-size: 180%">THE END</span></strong></p>
<p><strong></strong><br />
<a  href="http://3.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S39vYB8d3SI/AAAAAAAABH8/psl0GsZtLFU/s1600-h/DSC01538.JPG"><span style="font-family: arial"><img style="width: 400px;height: 300px" src="http://3.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S39vYB8d3SI/AAAAAAAABH8/psl0GsZtLFU/s400/DSC01538.JPG" border="0" alt="" /></span></a><span style="font-family: arial"> </span><br />
<a  href="http://3.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S4CfaANsPUI/AAAAAAAABIs/sRSODwq1QeA/s1600-h/DSC01536.JPG" class="thickbox no_icon" rel="gallery-544" title=""><img style="width: 400px;height: 300px" src="http://3.bp.blogspot.com/_swOb4bZt64E/S4CfaANsPUI/AAAAAAAABIs/sRSODwq1QeA/s400/DSC01536.JPG" border="0" alt="" /></a></p>
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