Nota ao público
Recentemente surgiram algumas duvidas de nosso público sobre as entradas e saídas de alguns integrantes da trupe. Estamos acompanhando de perto os questionamentos, debates em redes sociais e também pessoalmente com alguns fãs. Sempre prezamos pelo dialogo claro e aberto com as pessoas mais importantes do projeto: o público! Não vai ser diferente dessa vez. Então vamos lá, queremos levantar alguns pontos para que possam compreender tais mudanças e novidades da trupe.
Vamos começar lá atrás com o primeiro álbum, “Entrada para raros”, a princípio um projeto solo do Fernando Anitelli, sentindo a necessidade de mais pessoas para compor o mesmo, buscou mais sonoridades e foi convidando diversos parceiros para a gravação, o projeto saiu do estúdio para os palcos, mas não era um show comum, era um ‘Sarau amplificado’ como diz o próprio Fernando, diversos elementos circenses, teatrais, figurinos, maquiagem e tantos outros compunham o universo da trupe e vários colaboradores se uniram e o projeto se tornou algo maior que um simples álbum do Fernando.
Com o sucesso do primeiro álbum surge então “O Segundo Ato” com uma sonoridade mais carregada e um tom mais questionador, o grupo estava mais experiente, buscou por participações de outros músicos como Zeca Baleiro, para agregar o projeto que já nessa fase passou por importantes mudanças em sua formação.
Enfim o terceiro e atual trabalho da trupe “A Sociedade do Espetáculo” nasce, o projeto pedia mais maturidade em geral – produção, musical, artística.
Sentimos a necessidade de uma estrutura musical mais complexa foi quando convidamos o Daniel Santiago para produzir o disco, com uma enorme bagagem na musica brasileira sua contribuição foi fundamental para a concepção do novo álbum, com parcerias em algumas letras, novos arranjos e uma direção que até então não existia e é necessária. Com a proposta de um trabalho mais maduro e pronto para circular Brasil afora, levantando a bandeira da música livre e arte independente ainda fazer parcerias com músicos respeitados e que são influências para O Teatro Mágico, precisávamos de uma equipe também madura e disposta a trabalhar pelo sucesso do projeto, é uma entrega constante de mais de 30 pessoas envolvidas e durante esse processo é natural haja algum desgaste nesta relação ou que algumas pessoas não queiram continuar, isso acontece com músicos, com circo, com produção, escritório e demais atividades que compõe o projeto todo. Sempre prezamos por uma relação de muito respeito entre todos na trupe, e respeito pra gente envolve comprometimento pessoal, respeito com horários, com os fãs, cuidado com instrumentos de trabalho entre outras coisas necessárias para um relacionamento saudável e profissional no trabalho, acontece que nem todos estão dispostos a se comprometer, então algumas saídas se fazem necessárias e outras novas pessoas entram para ‘alimentar’ o trabalho, trazer novas idéias, criar e agregar! Pois queremos sempre levar o melhor show para vocês, a melhor letra, o melhor arranjo e claro, que essa relação de transparência e respeito que conquistamos com o público prevaleça em todos os aspectos.
Já para o próximo álbum estamos pensando em uma concepção ainda mais orgânica. Para isso precisaremos de muitas mãos, cabeças pensantes e dispostas a novidades, mudanças! A mudança é nossa constante! Queremos surpreender cada vez mais o público e levar sempre um trabalho muito alegre e com alto teor de profissionalismo como temos feito durante esses anos, onde sofremos varias transformações que fortaleceram ainda mais a proposta do grupo, por isso inevitavelmente surge à entrada de novos elementos cada um na sua importância. Estamos sempre em busca de indivíduos que tenham engajamento artístico, político e filosófico para somar conosco e contamos com a compreensão de cada um de vocês!
Nossa proposta sempre fugiu da padronização do termo: “banda”. Esse é o diferencial do O Teatro Mágico, assumimos a identidade de uma “Companhia Artística”.
Como em uma companhia de teatro e circo, nos sujeitamos a novas experimentações, novos integrantes, novas formas e novas cores. É claro que somos gratos e sentiremos saudades de quem passou por nós e contribuiu para o projeto, mas precisamos aprender a admirar quem chega. A essência do projeto não deve ser personificada, devemos enxergá-la ao olhar para o todo e o que deve prevalecer é o espírito artístico que nos trouxe até aqui. Lembre-se que por trás de toda alegoria, figurino e maquiagem, existem pessoas e é justamente nesse coletivo que enxergamos a essência do projeto, a essência não é só estar nos palcos, ela está no quanto o individuo soma, o valor da essência ultrapassa a execução de um instrumento, acreditamos que ela está presente na criação de uma concepção de espetáculo onde pensa-se figurinos, cenários, posturas, musicalmente e toda uma engrenagem em perfeito encaixe para que o projeto possa funcionar corretamente e em harmonia. Tal qual um relógio, nem sempre as peças vistas são as essência do trabalho, existe uma organização de trabalho e compromissos de todas as partes para que tudo possa funcionar, para que quando visto se possa perceber a união em funcionamento.
A essência está na conduta, no empenho, nas ações que desempenhamos, então: Busquemos novas essências! Que possamos estar abertos para enxergar novos tempos e suas qualidades.
Túlio Rivadávia